Publicar com regularidade não tem de comer a tua semana. Com três ou quatro temas-âncora e uma hora de planeamento, podes ter um mês de conteúdo pronto sem inventar nada de novo todos os dias.
Construir audiência nas redes sociais é construir em terreno alugado. Uma lista de email é o único canal que é verdadeiramente teu, e começa com um passo simples.
Aparecer no Google quando alguém procura o que fazes não exige perceber de tecnologia nem pagar publicidade. Exige usar as palavras que os teus clientes escrevem e responder às perguntas que eles fazem.
Quase toda a gente começa pelo canal: devia estar no Instagram? Essa é a última pergunta da sequência. Antes dela há três decisões que determinam se o que publicas chega a quem compra.
Próximo passo
8 minutos, e sais com a ordem das tuas decisões.
Para quem gere um pequeno negócio, as redes sociais costumam funcionar por culpa. A segunda-feira chega, lembras-te de que não publicas há dias, abres a aplicação, ficas a olhar para o ecrã sem ideia nenhuma, e fechas outra vez. No fim da semana, ou publicaste três coisas à pressa que não levaram a lado nenhum, ou não publicaste de todo. E a sensação que fica é que isto come tempo que não tens e não dá resultado.
O problema é quase sempre falta de sistema. Sem um plano, cada publicação obriga a uma decisão do zero: sobre o quê, em que formato, com que objetivo. Tomar essa decisão todos os dias, sem aviso, é o que cansa. É também o que faz com que a maioria desista por volta da terceira semana.
A boa notícia é que dá para resolver isto com uma hora por semana, sem precisares de talento criativo nem de ferramentas caras. A alavanca está em decidir uma vez aquilo que, sem plano, decidirias trinta vezes mal. Três peças fazem o trabalho todo: temas-âncora, planeamento em lote, e reaproveitamento de uma ideia em vários sítios.
A primeira fonte de paralisia é a folha em branco: tudo é tema possível, por isso nenhum é óbvio. A solução é fechar a porta a quase tudo de propósito.
Escolhe três ou quatro temas sobre os quais o teu negócio vai falar sempre. São os teus temas-âncora, ou pilares de conteúdo. Tudo o que publicas tem de encaixar num deles. Se não encaixa, não publicas. Parece uma restrição, mas é exatamente o contrário: é o que te tira da paralisia, porque deixas de escolher entre infinitas hipóteses e passas a escolher dentro de quatro gavetas que já estão definidas.
Para uma esteticista, os pilares podiam ser: cuidados de pele em casa, bastidores do gabinete, resultados de clientes, e ofertas. Para quem faz reparações, podiam ser: erros comuns que as pessoas cometem, antes e depois de um trabalho, dicas de manutenção, e disponibilidade da agenda. Não há combinação certa. Há a combinação que é a tua e que cobre o que sabes fazer.
Há uma forma simples de garantir que estes pilares não puxam todos para o mesmo lado. Pensa em quatro intenções diferentes para o teu conteúdo: ensinar alguma coisa, mostrar os bastidores, criar ligação com uma história ou um resultado, e convidar a comprar. Os teus pilares devem dar para tocar nestas quatro intenções ao longo da semana. Assim não ficas só a dar dicas (e nunca a vender) nem só a vender (e a cansar quem te segue). A maior parte do que publicas entrega algo: ensina, mostra, liga. Uma fatia menor pede algo de volta. A venda funciona melhor quando vem depois do valor entregue.
A segunda peça é a que devolve o tempo: deixar de planear publicação a publicação e passar a planear tudo de uma vez.
Escolhe um momento fixo na semana, o mesmo dia, a mesma hora, o mesmo sítio. Domingo à noite no sofá, ou sexta de manhã antes de abrir, tanto faz. O que importa é que seja sempre igual, porque um hábito com hora marcada acontece e um hábito "quando puder" nunca acontece. Nessa hora, não crias os conteúdos. Só decides três coisas para cada publicação da semana: o dia, o tema-âncora a que pertence, e a ideia concreta.
Uma folha com três colunas chega: dia, tipo, tema. Segunda, dica, "três erros que estragam o resultado". Quarta, história, "a cliente que voltou ao fim de um ano". Sexta, oferta, "duas vagas esta semana". Está planeada a semana. Vinte e cinco minutos, e a parte difícil ficou feita. Quando a segunda-feira chegar, já não acordas a perguntar "o que publico hoje?". A resposta está na folha.
A diferença entre quem publica com regularidade e quem publica por surtos está em ter decidido antes. Inspiração é ótima quando aparece, mas não paga contas e não aparece a horas. Um plano simples num papel substitui-a, e liberta a cabeça para o resto do negócio. Quando ganhas ritmo, podes esticar este mesmo hábito para planear duas semanas de cada vez, ou um mês inteiro numa tarde. O método é o mesmo, só muda a quantidade de linhas na folha.
A terceira peça é a que mata de vez o mito de que precisas de uma ideia nova por dia. Bastam poucas ideias boas, ditas de várias maneiras.
Uma única ideia dá para muitas publicações se a virares de ângulo. Imagina que tens uma dica sólida: como prolongar o resultado de um serviço entre visitas. Isso pode ser um texto curto com os passos. Pode ser um vídeo de poucos segundos a mostrar um deles. Pode ser uma pergunta à tua audiência sobre o erro que mais cometem. Pode ser a história de um cliente que ignorou o conselho e do que aconteceu. Quatro publicações, uma ideia de origem.
O mesmo serve para o que já fez bem antes. Aquela publicação de há três meses que teve mais reações do que o costume foi um sinal de que aquele tema interessa a quem te segue. Volta a ele com outro ângulo daqui a umas semanas. Quem te segue não decorou o que publicaste, e quem chegou entretanto nunca viu. Repetir um bom tema é boa gestão do pouco tempo que tens, e nada tem que ver com falta de imaginação.
Reaproveitar também atravessa formatos e sítios. O que escreves para uma rede pode virar uma mensagem para a tua lista de contactos, um aviso afixado no balcão, uma resposta-tipo que dás a quem pergunta a mesma coisa. Criar uma vez e usar em vários lados é o que torna uma hora por semana suficiente.
O Cláudio tem 46 anos e é jardineiro por conta própria. Trabalho não lhe faltava, mas vinha sempre do passa-palavra, nunca das redes. Publicava quando se lembrava: uma foto de um trabalho acabado, de vez em quando, sem texto nem contexto. Semanas inteiras sem nada, depois três publicações no mesmo dia a seguir a um serviço que correu bem. A agenda andava aos altos e baixos, e ele atribuía isso à sorte.
Não mudou nada de fundo. Numa sexta de manhã, antes do primeiro serviço, sentou-se vinte minutos. Definiu quatro temas-âncora: erros que as pessoas cometem no jardim, antes e depois de um trabalho, dicas de manutenção que poupam dinheiro, e a sua disponibilidade na semana. Planeou três publicações por semana numa folha simples, com dia e tema marcados. E percebeu que metade das ideias já as tinha dado a clientes ao telefone mil vezes.
Passou a publicar com regularidade sem nunca passar mais do que uma hora por semana nisto. As mensagens começaram a chegar de gente que nunca o tinha contratado e que dizia "vi as tuas dicas". A agenda deixou de depender só de quem já o conhecia.
A Lurdes tem 48 anos e faz bolos por encomenda a partir de casa. Tinha o problema oposto ao do Cláudio: queria fazer tudo bem e por isso não fazia quase nada. Cada publicação era um pequeno projeto. Tirava fotografias durante uma hora, reescrevia o texto cinco vezes, e no fim, esgotada, nem chegava a publicar. Esperava pelos domingos com cabeça para "ser criativa", e os domingos passavam sem inspiração nenhuma.
A mudança foi deixar de inventar do zero. Escolheu quatro temas-âncora e percebeu que a maioria do conteúdo já existia: os bolos que fazia toda a semana, as encomendas que entregava, as perguntas que os clientes lhe faziam sempre. Passou a planear à terça de manhã, numa folha, cinco publicações para a semana. E começou a reaproveitar: uma encomenda dava uma fotografia do produto, um vídeo curto do processo, e a história de quem a tinha pedido. Três publicações de uma só tarde de trabalho que ela já ia fazer de qualquer forma.
Deixou de associar publicar a um esforço enorme e raro, e passou a associá-lo a um hábito pequeno e fixo. Publicava mais, com menos cansaço, e os pedidos passaram a chegar de pessoas que tinham acompanhado o processo e já confiavam nela antes de escreverem.
Um plano de conteúdo de uma hora por semana é uma forma de tirar as redes sociais da gaveta da culpa e pô-las a trabalhar sem te roubarem a semana, sem prometer viralidade nenhuma. Três temas-âncora para deixares de olhar para a folha em branco. Uma hora fixa para planeares tudo de uma vez. E o hábito de reaproveitar uma ideia em vários sítios, para nunca teres de começar do nada.
Não precisa de ser perfeito à primeira. Escolhe os teus pilares, marca a tua hora, e planeia só a próxima semana. Depois ajustas com base no que funcionou. O que constrói confiança em quem te segue é apareceres com regularidade, com algo de teu, semana após semana.
No Elevate, as lições "Planeamento de Conteúdo" e "Conteúdo que Vende sem Vender" trabalham isto em concreto: como montar o teu plano com pilares e ritmo sustentável, e como criar conteúdo que aproxima clientes sem que cada publicação pareça um anúncio. Tudo para quem não tem departamento de marketing nem quer ter.
Um plano de conteúdo é gestão do teu tempo aplicada à comunicação: decides uma vez, executas a semana inteira sem drama.