Saltar para o conteúdo
Mulher de gorro laranja a embalar produtos numa mesa com plantas

O que automatizar primeiro

O inventário das tarefas que se repetem, as horas que levam por mês e a ordem para as sistematizar.

9 páginas · PDF e folha Excel

Receber a folha Excel e o PDF

A folha vem preenchida com um exemplo, para trocar pelos números do negócio. Chega por email em poucos minutos.

Como se trata o email está na política de privacidade.

Índice

  1. A situação
  2. Passo 1 — Listar as tarefas que se repetem
  3. Passo 2 — Passar cada tarefa a horas por mês
  4. Passo 3 — Perguntar se a tarefa devia existir
  5. Passo 4 — Separar o que pede critério
  6. Passo 5 — Escolher o nível mais simples que resolve
  7. Passo 6 — Calcular a pontuação e a ordem
  8. Passo 7 — Montar uma de cada vez e medir
  9. O inventário de um estúdio de treino pessoal
  10. A folha que acompanha este guia
  11. Erros frequentes
  12. Checklist final

A situação

Num pequeno negócio, uma parte grande da semana vai para tarefas que se repetem quase sem mudar: responder à mesma pergunta sobre preços, confirmar marcações, enviar orçamentos, registar pagamentos, organizar ficheiros. Cada uma leva poucos minutos e nenhuma parece merecer atenção. Somadas, ocupam horas todos os meses, e essas horas saem do trabalho que é pago e da gestão do negócio.

A decisão que costuma vir primeiro é escolher uma aplicação. O critério devia vir antes: que tarefas ocupam mais tempo, quais nem deviam existir, quais pedem o critério de quem gere e quanto tempo custa montar cada solução. Michael Gerber chamou a esta diferença trabalhar no negócio e trabalhar sobre o negócio (O Mito do Empreendedor, 1986): fazer o serviço é uma coisa, construir a forma como o serviço se faz é outra.

Este guia leva cerca de 40 minutos, mais uma ou duas semanas de registo se a agenda não chegar para estimar. O resultado é uma lista ordenada, com as três primeiras tarefas a tratar e a ação para cada uma.

Passo 1 — Listar as tarefas que se repetem

Durante uma semana normal (ou de memória, com a agenda e as mensagens dos últimos dias à frente), escreve-se cada tarefa que aconteceu mais de uma vez, ou que vai voltar a aparecer da mesma forma. Nesta fase não se filtra por importância.

Os sítios onde as tarefas repetidas costumam estar:

  • Mensagens: perguntas sobre preços, horários, morada, prazos, formas de pagamento.
  • Marcações: pedidos, confirmações, remarcações, lembretes.
  • Vendas: orçamentos, propostas, seguimento de quem não respondeu.
  • Dinheiro: faturas, registo de pagamentos, lembretes a quem está em atraso.
  • Entrega: preparar materiais, enviar ficheiros, montar encomendas.
  • Registos: atualizar folhas, copiar dados entre aplicações, guardar documentos.
  • Comunicação: preparar publicações, responder a comentários.

Cada tarefa escreve-se com um verbo e um objeto, de forma a que se perceba quando começa e quando acaba, como «responder a pedidos de remarcação».

Sinal de que está bem feito: a lista tem pelo menos dez tarefas, e inclui as que se fazem sem pensar.

Passo 2 — Passar cada tarefa a horas por mês

Para cada tarefa, escrevem-se dois números: quantas vezes acontece por semana e quantos minutos leva de cada vez, contando o tempo de abrir, procurar e voltar ao que se estava a fazer. A conta é esta:

Horas por mês = vezes por semana × minutos por vez × 4,33 ÷ 60

O 4,33 é o número médio de semanas num mês (52 semanas ÷ 12 meses). Uma tarefa de 15 minutos que acontece seis vezes por semana ocupa 6,5 horas por mês, quase um dia inteiro de trabalho.

Os minutos estimam-se por cima. A tarefa que «leva dois minutos» leva quase sempre mais, porque interrompe outra.

Sinal de que está bem feito: cada tarefa tem as horas por mês calculadas, e o total da lista está escrito no fundo.

Passo 3 — Perguntar se a tarefa devia existir

Antes de procurar uma solução, cada tarefa passa por três perguntas:

PerguntaSe a resposta for não
Contribui para o serviço ao cliente, para a receita ou para o funcionamento do negócio?Eliminar
Precisa de ser feita desta maneira, ou podia ser feita com muito menos passos?Simplificar antes de automatizar
Precisa de quem gere, ou precisa só de informação que quem gere tem?Escrever a informação e passar a tarefa

Há tarefas que existem por hábito: confirmações que o cliente não precisa de receber, relatórios que ninguém lê, passos intermédios que vieram de uma fase anterior do negócio. Automatizar uma tarefa destas faz uma coisa inútil acontecer mais depressa. A forma de testar é parar de a fazer durante duas semanas e registar se alguém nota.

Sinal de que está bem feito: cada tarefa tem a resposta «sim» ou «não» na coluna devia existir, e as que levaram «não» já têm data para o teste das duas semanas.

Passo 4 — Separar o que pede critério

Uma tarefa pede critério quando a resposta certa muda com o cliente, o contexto ou a situação, e só quem gere sabe avaliar essa diferença. Responder à pergunta dos horários não pede critério. Definir o âmbito de um projeto novo ou o plano de treino de um cliente pede.

O critério não impede que se poupe tempo, e muda a forma de o poupar:

Repete-se muitas vezesRepete-se poucas vezes
Sem critérioPrimeiro candidato a automatizarAvaliar se devia existir
Com critérioEscrever o processo e preparar uma baseDeixar como está e rever quando crescer

As tarefas com critério e muitas repetições ganham com uma base preparada: um modelo de proposta com as partes fixas já escritas, um formulário que o cliente preenche antes da primeira sessão, uma lista de verificação. Quem gere continua a decidir, e deixa de começar do zero.

Sinal de que está bem feito: cada tarefa tem a resposta «sim» ou «não» na coluna exige critério.

Passo 5 — Escolher o nível mais simples que resolve

Há três níveis de solução, do mais simples ao mais técnico, e a regra é começar sempre pelo primeiro que resolve a tarefa:

  1. Lista de verificação. Os passos da tarefa escritos, em papel ou num documento. Custa zero e monta-se em dez minutos. Resolve esquecimentos e tarefas com muitos passos.
  2. Modelo de texto. Respostas guardadas, mensagens-tipo, propostas base, modelos de fatura. Resolve tudo o que é escrever a mesma coisa várias vezes, e funciona dentro das aplicações que o negócio já usa (as respostas rápidas do WhatsApp Business, as assinaturas do email).
  3. Automação digital. Marcação online, lembretes automáticos, faturação recorrente, ligações entre aplicações. Só compensa depois de o processo estar escrito e a funcionar nos níveis 1 ou 2, porque uma ferramenta configurada sobre um processo improvisado repete o improviso.

Para cada tarefa, escrevem-se mais dois números: os minutos que vai passar a levar depois da solução (zero, se for eliminada) e as horas que custa montar a solução. As horas de montar incluem escolher, configurar, testar e explicar aos clientes, quando a mudança lhes toca.

Nas tarefas de texto que variam um pouco de vez para vez (respostas a perguntas parecidas, resumos de notas, primeiras versões de mensagens), a IA pode entrar como rascunho por cima de um modelo, com revisão antes de enviar. O critério de escolha é o mesmo dos outros níveis: só entra quando poupa tempo depois de contada a revisão.

Sinal de que está bem feito: cada tarefa que fica tem um nível escolhido, os minutos de depois e as horas de montar.

Passo 6 — Calcular a pontuação e a ordem

A ordem calcula-se pelas horas que cada solução devolve no primeiro ano, já descontado o tempo de a montar:

Horas poupadas por mês = vezes por semana × (minutos antes − minutos depois) × 4,33 ÷ 60
Pontuação = horas poupadas por mês × 12 − horas para montar
Meses para recuperar = horas para montar ÷ horas poupadas por mês

A pontuação mais alta fica em primeiro. A folha faz a conta e ordena sozinha. Duas notas sobre a leitura:

  • Eliminar não espera pela ordem. Uma tarefa que não devia existir custa zero horas a resolver, por isso faz-se logo, mesmo que fique a meio da lista.
  • Mais de seis meses para recuperar é sinal para procurar uma solução de nível mais baixo, ou para deixar a tarefa como está por agora.

Sinal de que está bem feito: as três primeiras tarefas da ordem têm uma ação e uma data escritas.

Passo 7 — Montar uma de cada vez e medir

As soluções montam-se uma de cada vez, pela ordem da folha. Montar três ao mesmo tempo mistura os resultados e aumenta a probabilidade de nenhuma ficar a funcionar.

Duas semanas depois de cada solução estar ativa, mede-se outra vez a tarefa: quantas vezes aconteceu e quantos minutos levou. Se os minutos de depois ficaram longe da estimativa, corrige-se a folha e revê-se a ordem das tarefas seguintes. O inventário inteiro revê-se uma vez por trimestre, porque um negócio que cresce cria tarefas novas.

A aula «Automações e sistemas simples» trabalha os três níveis com mais exemplos, e a aula «O manual de operações» mostra como escrever os processos que ficam com quem gere.

Sinal de que está bem feito: cada solução montada tem uma medição de duas semanas depois, escrita na folha.

O inventário de um estúdio de treino pessoal

O personal trainer trabalha com clientes individuais e com dois grupos pequenos, e gere a agenda pelo telemóvel. Fez o inventário de uma semana normal e ficou com seis tarefas repetidas.

O inventário

TarefaVezes por semanaMinutos por vezHoras por mêsExige critérioDevia existir
Responder a pedidos de remarcação6156,50NãoSim
Enviar o plano de treino depois da avaliação2405,78SimSim
Confirmar presenças nas aulas de grupo3102,17NãoNão
Registar pagamentos recebidos582,89NãoSim
Avaliar clientes novos2456,50SimSim
Responder a perguntas sobre preços e horários4123,47NãoSim

As seis tarefas ocupam 27,3 horas por mês. A conta da primeira: 6 vezes × 15 minutos × 4,33 ÷ 60 = 6,5 horas.

As confirmações de presença levaram «não» na coluna devia existir: nos dois grupos, quase todas as pessoas aparecem sempre, e a confirmação não mudava nada na preparação da aula. O personal trainer parou durante duas semanas e ninguém notou.

As soluções e a ordem

TarefaSoluçãoMinutos depoisHoras para montarHoras poupadas por mêsPontuaçãoOrdem
RemarcaçõesMarcação online com a agenda visível335,2059,41
Preços e horáriosResposta guardada e página com os preços212,8933,72
Plano de treinoModelos base por objetivo, ajustados a cada cliente2062,8928,73
Confirmar presençasEliminar002,1726,04
AvaliaçõesFormulário preenchido pelo cliente antes da sessão3022,1724,05
PagamentosFolha com modelo, preenchida uma vez por dia311,8120,76

A conta da primeira linha: 6 vezes × (15 − 3) minutos × 4,33 ÷ 60 = 5,2 horas poupadas por mês. Em doze meses são 62,4 horas, menos as 3 horas de montar: 59,4 de pontuação. As 3 horas de montar recuperam-se em pouco mais de meio mês (3 ÷ 5,2 = 0,58 meses).

O plano de treino pede critério, e mesmo assim ficou em terceiro: o personal trainer continua a decidir cada plano, a partir de um modelo em vez de uma página em branco. É a solução com o retorno mais lento da lista (6 horas de montar, cerca de dois meses para as recuperar), e continua a valer a pena.

O resultado

O personal trainer eliminou as confirmações logo na primeira semana e montou as três primeiras soluções pela ordem, uma por semana. Juntas, as quatro devolvem cerca de 13,2 horas por mês (5,20 + 2,89 + 2,89 + 2,17), para 10 horas de montagem no total. As duas tarefas que faltam ficaram para o trimestre seguinte, já com a solução escolhida.

As 13 horas por mês passaram para a prospeção de clientes para os grupos, que estavam com lugares livres.

A folha que acompanha este guia

A folha Excel tem um separador, «Inventário», com espaço para doze tarefas. Para cada uma, preenchem-se a tarefa, as vezes por semana, os minutos por vez, se exige critério, se devia existir, os minutos depois da solução e as horas para montar. A folha calcula as horas por mês, as horas poupadas por mês, a pontuação, os meses para recuperar o tempo de montar, a ordem e a ação sugerida (eliminar, escrever o processo ou automatizar), e soma no fundo as horas de hoje e as horas poupadas. As células a amarelo são as que se preenchem, e vêm com as tarefas do personal trainer para a folha abrir já a funcionar.

Erros frequentes

  • Escolher a ferramenta antes do inventário. A ferramenta resolve a tarefa para que foi escolhida, e essa raramente é a que mais tempo ocupa.
  • Contar os minutos por baixo. Uma tarefa que interrompe outra custa também o tempo de voltar ao que se estava a fazer.
  • Automatizar o que devia sair. O filtro do passo 3 vem antes de qualquer solução.
  • Montar tudo de uma vez. Uma solução por semana deixa medir cada uma.
  • Esquecer o tempo de montar. Uma solução que leva mais tempo a montar do que devolve num ano fica para depois.
  • Não medir depois. Sem a medição das duas semanas, a poupança fica na estimativa.

Checklist final

  • Listar as tarefas que se repetem numa semana normal
  • Calcular as horas por mês de cada tarefa
  • Passar cada tarefa pelas três perguntas do filtro
  • Marcar as tarefas que exigem critério de quem gere
  • Escolher o nível mais simples que resolve cada tarefa
  • Ordenar pela pontuação e escrever a ação das três primeiras
  • Eliminar já as tarefas que não deviam existir
  • Medir cada solução duas semanas depois de a montar

Receber a folha Excel e o PDF

A folha vem preenchida com um exemplo, para trocar pelos números do negócio. Chega por email em poucos minutos.

Como se trata o email está na política de privacidade.

Depois do guia, o plano

O tempo e a rotina

Completo · 9 dias15 min/dia

A rotina do dia, as tarefas por prioridade, três tarefas automatizadas e o primeiro processo escrito.

Saber por onde começar a melhorar o negócio.

Um diagnóstico gratuito de 4 minutos.

Fazer o diagnóstico