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Costureira a mostrar um croqui à câmara, no atelier

Testar uma ideia de negócio

A hipótese, o teste mais barato, a conta do mínimo para valer a pena e o critério de decisão antes de abrir.

11 páginas · PDF e folha Excel

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Índice

  1. A situação
  2. Passo 1 — Escrever as hipóteses
  3. Passo 2 — Saber quem paga
  4. Passo 3 — Fazer a conta do mínimo
  5. Passo 4 — Escolher o teste mais barato
  6. Passo 5 — Escrever o critério de decisão antes do teste
  7. Passo 6 — Fazer o teste e registar
  8. Passo 7 — Decidir
  9. A ideia das explicações de matemática em grupo
  10. A folha que acompanha este guia
  11. Sinais de alarme
  12. Checklist final

A situação

Antes de abrir, a tendência é investir primeiro no que se vê: o nome, o logótipo, o site, o material, às vezes o espaço. Só depois se descobre se há quem pague, e a que preço. As conversas com a família e os amigos não ajudam a responder, porque quem gosta de quem tem a ideia diz quase sempre que é uma boa ideia.

Um teste responde a outra pergunta, mais útil: há pessoas que pagam este preço por isto, e há pessoas suficientes para o negócio valer a pena? A resposta consegue-se em duas ou três semanas, com pouco ou nenhum dinheiro, e vale tanto quando é sim como quando é não. Uma ideia que não passa no teste custou umas semanas, e não o investimento todo.

Este guia segue o método das aulas «Descobrir a ideia de negócio» e «Validação de ideia» do Elevate Club, e tem sete passos. O primeiro, o segundo, o terceiro e o quinto fazem-se numa tarde; o teste em si leva duas a três semanas.

Passo 1 — Escrever as hipóteses

Uma ideia de negócio é um conjunto de suposições que ainda ninguém confirmou. O primeiro passo é separá-las, para se poder testar cada uma. Quase todas as ideias assentam em cinco:

HipóteseA pergunta que responde
O problemaQue situação a ideia resolve, e para quem é um problema real?
Quem pagaQuem decide e paga a compra (que nem sempre é quem usa)?
O preçoQuanto se paga, e com que frequência?
O canalOnde se encontram os primeiros clientes?
A capacidadeO número de clientes de que o negócio precisa cabe no tempo disponível?

Cada hipótese escreve-se como uma afirmação que pode estar errada, com o sinal que a confirmaria ao lado. «Há procura» não se testa. «Os pais de alunos do 12.º ano pagam 80€ por mês por explicações em grupo» testa-se: ou pagam, ou não pagam.

Depois, marcar o risco de cada hipótese. A de risco alto é aquela que, se estiver errada, torna a ideia inviável, e em quase todas as ideias é o preço: muita gente diz que tem o problema, e menos gente paga para o resolver. É essa que o teste tem de responder primeiro.

Sinal de que está bem feito: as cinco hipóteses estão escritas como afirmações com um número ou um nome dentro, cada uma tem o sinal que a confirma, e uma está marcada como a de risco mais alto.

Passo 2 — Saber quem paga

Quem usa e quem paga são muitas vezes pessoas diferentes. Numa explicação, o aluno usa e os pais pagam; num serviço para empresas, quem trabalha com a ferramenta não é quem aprova a fatura. O teste faz-se com quem paga, porque é essa pessoa que tem de dizer sim ao preço.

Descrever quem paga pela situação em que está e pelo momento em que precisa, e não pela idade nem pelo género. A seguir, escrever onde se encontram 15 dessas pessoas esta semana: grupos online, associações, a rede de clientes de um negócio vizinho, conhecidos de conhecidos. Se não se consegue chegar a 15 pessoas para um teste, o canal é a hipótese mais arriscada, e não o preço.

A aula «Validação de ideia» usa quatro sinais para ver se uma ideia tem procura. Cada um lê-se nas conversas com quem paga:

  1. Procura real: as pessoas já procuram uma solução, sem ser preciso convencê-las de que o problema existe.
  2. Disposição para pagar: já gastam dinheiro em alternativas, mesmo imperfeitas.
  3. Urgência ou frequência: o problema é urgente ou repete-se.
  4. Acesso ao cliente: há forma de chegar a estas pessoas.

Sinal de que está bem feito: está escrito quem paga, quem usa (se forem pessoas diferentes) e uma lista de 15 pessoas ou sítios onde as encontrar.

Passo 3 — Fazer a conta do mínimo

Antes de testar, calcula-se quantos clientes o negócio precisa para valer a pena. Sem este número, um teste com seis interessados não diz nada: seis podem ser muitos ou poucos, conforme a conta.

Margem por cliente = preço por cliente − custo variável por cliente

Clientes mínimos por mês = (custos fixos por mês + rendimento mensal desejado) ÷ margem por cliente
(arredondado para cima)

Lucro mensal = preço × clientes − custo variável × clientes − custos fixos

O que entra em cada parte:

  • Preço por cliente: o que cada cliente paga por mês (ou por compra), sem IVA.
  • Custo variável por cliente: o que só se gasta quando há um cliente: materiais, embalagem, comissões de pagamento.
  • Custos fixos por mês: o que se paga haja ou não clientes: software, espaço, telemóvel, seguro.
  • Rendimento mensal desejado: quanto o negócio tem de pagar a quem o gere, antes de impostos. Sem este valor, a conta mostra quando o negócio deixa de perder dinheiro, e não quando vale a pena.

Com os clientes mínimos calculados, fazem-se mais duas contas:

Horas por semana necessárias = clientes mínimos × horas de trabalho por cliente por semana

Dinheiro para arrancar = investimento inicial + 6 × custos fixos por mês

A primeira confirma a hipótese da capacidade: se as horas necessárias não cabem na semana, a ideia precisa de outro preço ou de outro formato antes de qualquer teste. A segunda diz quanto dinheiro tem de estar disponível para pagar os custos dos primeiros seis meses, enquanto o número de clientes está abaixo do mínimo.

Sinal de que está bem feito: há um número de clientes mínimos por mês, e as horas que esse número pede cabem na semana.

Passo 4 — Escolher o teste mais barato

O teste escolhe-se pela hipótese de risco mais alto, e começa-se sempre pelo mais barato que a consegue responder. Há três, do mais barato para o mais forte:

TesteCustoTempoO que provaO que não prova
Conversas com quem paga0€1 semanaQue o problema existe e como se fala deleQue as pessoas pagam
Publicação ou página simples, com um contacto0€ a pouco1 a 2 semanasQue o canal chega a quem tem o problemaQue as pessoas pagam o preço
Pré-venda ou reserva com sinal0€2 a 3 semanasQue as pessoas pagam este preçoQue voltam a comprar

As conversas. A aula «Validação de ideia» recomenda 5 a 8 conversas de 15 minutos com quem tem o problema, fora da família e dos amigos próximos. Ouvir mais do que falar, e perguntar pelo passado em vez de pelo futuro: «O que fez da última vez que teve este problema? Quanto gastou?» diz mais do que «Compraria isto?». O sinal forte é a pessoa perguntar pelo preço ou por quando começa, sem ninguém lhe perguntar.

A publicação ou a página. Uma publicação num grupo onde estão os clientes, ou uma página simples com a oferta, o preço e uma forma de contacto. Mede-se quantas pessoas pedem informação.

A pré-venda. A oferta com preço, data de início e um sinal para reservar lugar. É o teste mais forte, porque mede o que as pessoas fazem e não o que dizem: quando alguém paga, mesmo um valor pequeno, a hipótese do preço fica testada. As condições dizem-se por escrito antes de receber: o sinal desconta no primeiro pagamento, e devolve-se por inteiro se o negócio não abrir na data anunciada.

Sinal de que está bem feito: o teste escolhido responde à hipótese de risco mais alto, e é o mais barato que lhe responde.

Passo 5 — Escrever o critério de decisão antes do teste

O critério escreve-se antes de começar, com números e com data. Escrito depois, o critério tende a mudar para caber no resultado: três interessados passam a ser «um bom começo» quando se esperavam dez.

O critério tem três respostas possíveis, cada uma com o que se faz a seguir:

  • Luz verde: o resultado chega ou passa o número combinado. Avança-se.
  • Luz amarela: há interesse, abaixo do combinado. Ajusta-se uma coisa (o preço, o formato, o público ou o canal) e repete-se o teste uma vez.
  • Luz vermelha: o resultado fica muito abaixo. Muda-se a hipótese de risco mais alto e volta-se ao passo 1.

O número da luz verde sai da conta do mínimo. Uma regra prática é pedir, no período do teste e com um só canal, pelo menos metade dos clientes mínimos por mês. A luz amarela começa num quarto. Ao lado do critério escreve-se a data de fim do teste e o canal que se vai usar.

Sinal de que está bem feito: o critério está escrito com três números (verde, amarela, vermelha), uma data de fim e o canal, antes do primeiro contacto.

Passo 6 — Fazer o teste e registar

Durante o teste, regista-se o que as pessoas fazem, e não o que dizem. Um registo simples, por canal e por semana, chega:

  • quantas pessoas pediram informação;
  • quantas pagaram o sinal (ou marcaram, ou encomendaram);
  • a surpresa: o que se ouviu e não se esperava.

A coluna da surpresa é a que mais muda a ideia. É aí que aparece o horário que ninguém tinha pensado, a objeção que se repete, o público ao lado que mostra mais interesse do que o previsto. Três ou mais pessoas a repetir a mesma frustração, o mesmo preço ou o mesmo pedido é um sinal a registar.

Os elogios não entram nas contas. «Que boa ideia» é simpatia; um pedido de preço, uma reserva ou um sinal pago contam.

Sinal de que está bem feito: no fim de cada semana, o registo tem os pedidos de informação, os sinais pagos e pelo menos uma surpresa anotada.

Passo 7 — Decidir

Na data de fim, comparam-se os resultados com o critério escrito no passo 5, sem o mudar. Calcula-se a conversão do teste e o que falta para o mínimo:

Conversão do teste = sinais pagos ÷ pedidos de informação × 100

Clientes que faltam = clientes mínimos − sinais pagos

Pedidos de informação necessários = clientes que faltam ÷ sinais pagos × pedidos de informação
(arredondado para cima)

A última conta diz quantas pessoas mais é preciso pôr a pedir informação, ao ritmo do teste, para chegar ao mínimo. É o primeiro objetivo comercial do negócio.

Sinal de que está bem feito: a decisão (verde, amarela ou vermelha) sai do critério escrito antes, e há um número de pedidos de informação para o primeiro mês.

A ideia das explicações de matemática em grupo

O Pedro é explicador de matemática e quer abrir grupos online de quatro alunos do 12.º ano, para preparar o exame nacional de Matemática A, com duas sessões de 1h30 por semana.

Passo 1. As hipóteses.

HipóteseO que se acreditaO que a confirmaRisco
O problemaAlunos do 12.º ano precisam de subir a nota de Matemática A antes do exameOs pais descrevem o problema antes de ouvirem a propostamédio
Quem pagaOs pais pagam, os alunos usamSão os pais que pedem o preço e pagam o sinalbaixo
O preçoOs pais pagam 80€ por mês por um grupo online de 4 alunosPelo menos 8 sinais de 20€ em 3 semanasalto
O canalOs primeiros alunos chegam pelos grupos de pais das escolas da zona e por mensagens diretasPedidos de informação vindos desses canaismédio
A capacidadeOs alunos mínimos cabem nas 15 horas por semana disponíveisA conta do mínimobaixo

A de risco alto é o preço: o Pedro sabia que os pais procuram explicações, e não sabia se pagavam 80€ por um formato online e em grupo.

Passo 2. Quem paga. Os pais. O Pedro fez uma lista de três grupos de pais de escolas da zona e de 12 pais conhecidos de segundo grau, a quem podia escrever diretamente.

Passo 3. A conta do mínimo. Os valores são sem IVA.

Preço por aluno por mês: 80€
Custo variável por aluno (comissões de pagamento e materiais): 3€
Margem por aluno = 80€ − 3€ = 77€

Custos fixos por mês (videochamada, quadro digital, parte da internet): 40€
Rendimento mensal desejado, antes de impostos: 1 200€

Alunos mínimos por mês = (40€ + 1 200€) ÷ 77€ = 16,1 → 17 alunos
Lucro mensal com 17 alunos = 80€ × 17 − 3€ × 17 − 40€ = 1 269€

Com 16 alunos, o lucro seria de 1 192€, abaixo dos 1 200€; por isso o mínimo é 17. A capacidade confirma-se com as horas: cada grupo ocupa 3 horas por semana (2 sessões de 1h30), e a dividir por 4 alunos dá 0,75 horas por aluno.

Horas por semana necessárias = 17 alunos × 0,75 horas = 12,75 horas
Dinheiro para arrancar = 300€ (mesa digitalizadora e microfone) + 6 × 40€ = 540€

As 12,75 horas cabem nas 15 disponíveis.

Passo 4. O teste. As conversas com oito pais confirmaram o problema e quem paga, e ninguém perguntou pelo preço por iniciativa própria. Para testar o preço, o Pedro abriu uma pré-inscrição com sinal de 20€, descontado na primeira mensalidade e devolvido se os grupos não abrissem na data anunciada. Publicou-a nos três grupos de pais, uma semana em cada, e escreveu aos 12 pais da lista. Custo: 0€.

Passo 5. O critério, escrito antes. Metade dos 17 alunos mínimos dá 8,5, e o Pedro arredondou para 8. A luz amarela começa num quarto dos 17, arredondado para 4.

  • Verde: 8 ou mais sinais pagos em três semanas. Abrir os grupos e continuar a vender até aos 17.
  • Amarela: 4 a 7 sinais. Ajustar o horário ou o formato e repetir o teste durante três semanas.
  • Vermelha: 3 sinais ou menos. Mudar a hipótese do preço ou do formato (presencial) e voltar ao passo 1.

Passo 6. O registo.

SemanaCanalPedidos de informaçãoSinais pagosSurpresa
1Grupo de pais da escola A932 pais pediram sábado de manhã
1Mensagens diretas631 pai recusou por ser online
2Grupo de pais da escola B822 pais pediram sábado de manhã
2Mensagens diretas321 pai recusou por ser online
3Grupo de pais da escola C521 pai pediu sábado; 1 recusou por ser online
Total3112

Passo 7. A decisão. Doze sinais pagos passam os 8 do critério: luz verde.

Conversão do teste = 12 ÷ 31 × 100 = 39%
Alunos que faltam = 17 − 12 = 5
Pedidos de informação necessários = 5 ÷ 12 × 31 = 12,9 → 13

Com 12 alunos, o lucro mensal seria de 884€ (80€ × 12 − 3€ × 12 − 40€), abaixo dos 1 200€ desejados. O Pedro abriu três grupos de quatro em vez de esperar pelos 17, e o objetivo do primeiro mês passou a ser 13 pedidos de informação, para fechar os 5 alunos que faltam. A surpresa decidiu o resto: 5 dos 31 pais pediram sábado de manhã, e o quarto grupo abre nesse horário.

A folha que acompanha este guia

A folha Excel tem três separadores. O primeiro, «Hipóteses», tem as cinco hipóteses do passo 1, com o que se acredita, o que a confirma, o risco e o teste que lhe responde. O segundo, «Conta do mínimo», calcula a margem por cliente, os clientes mínimos por mês, o lucro com esse mínimo, as horas por semana necessárias e o dinheiro para arrancar, a partir do preço, dos custos, do rendimento desejado e das horas disponíveis. O terceiro, «Registo do teste», recebe os pedidos de informação, os sinais pagos e as surpresas de cada semana, e o critério escrito antes do teste; no fim calcula a conversão, dá a decisão (verde, amarela ou vermelha) e os pedidos de informação necessários para chegar ao mínimo. As células a amarelo são as que se preenchem; vêm com os números das explicações de matemática, para a folha abrir já a funcionar.

Sinais de alarme

  • Testar com a família e os amigos. Dizem que sim por simpatia. O teste faz-se com quem paga e não deve nada a quem tem a ideia.
  • Contar elogios. «Que boa ideia» não entra no registo. Pedidos de preço, reservas e sinais pagos entram.
  • Escrever o critério depois do teste. O critério muda para caber no resultado. Escreve-se antes, com números e data.
  • Investir antes de testar o preço. O logótipo, o site e o material esperam pelo resultado da hipótese de risco mais alto.
  • Esquecer o rendimento de quem gere na conta do mínimo. Sem ele, a conta mostra quando o negócio deixa de perder dinheiro, e não quando vale a pena.
  • Desistir à primeira luz amarela. Uma luz amarela pede um ajuste e um segundo teste, e não o abandono da ideia.

Checklist final

  • Escrever as cinco hipóteses como afirmações que podem estar erradas, com o sinal que confirma cada uma
  • Marcar a hipótese de risco mais alto
  • Escrever quem paga, quem usa e onde se encontram 15 dessas pessoas
  • Calcular os clientes mínimos por mês, as horas que pedem e o dinheiro para arrancar
  • Escolher o teste mais barato que responde à hipótese de risco mais alto
  • Escrever o critério de decisão (verde, amarela e vermelha), a data de fim e o canal, antes do primeiro contacto
  • Registar, em cada semana, os pedidos de informação, os sinais pagos e as surpresas
  • Decidir pelo critério escrito e calcular os pedidos de informação necessários para chegar ao mínimo

Receber a folha Excel e o PDF

A folha vem preenchida com um exemplo, para trocar pelos números do negócio. Chega por email em poucos minutos.

Como se trata o email está na política de privacidade.

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