O que é a mentoria de negócios, como se organiza e como se paga, onde encontrar um mentor, o que levar para a primeira conversa e o que perguntar antes de começar.
Três passos, por esta ordem: o valor que o negócio precisa de faturar por mês, os poucos números a acompanhar e uma hora fixa por semana para a gestão.
Gerir é decidir sobre os cinco passos de qualquer negócio, com um calendário: uma revisão por semana, um fecho por mês e metas por trimestre. Uma semana e um mês de gestão num salão, com os tempos.
Contabilista, consultor, mentor, formação, IAPMEI, associações empresariais ou um par na mesma fase: o que cada um dá e que pergunta resolve melhor.
Próximo passo
10 minutos, e ficas a saber que decisões tomar primeiro.
A mentoria de negócios é uma relação em que uma pessoa com experiência em gerir acompanha as decisões de outra ao longo de várias conversas. Organiza-se em sessões individuais ou em grupo, num programa com duração definida ou em regime de avença, e existe também em programas de associações empresariais e de incubadoras. Paga-se por sessão ou por programa, e há programas gratuitos. De um mentor esperam-se perguntas, experiência e uma segunda opinião; os números, as decisões e a execução são trabalho de quem gere o negócio.
É uma conversa continuada entre duas pessoas. Uma está a gerir um negócio. A outra já geriu um, ou acompanhou muitos, e põe essa experiência ao serviço das decisões da primeira. O mentor ouve a situação, faz perguntas, conta o que viu acontecer em casos parecidos e ajuda a pesar as opções.
A mentoria responde bem às perguntas sem resposta única: se é altura de contratar a primeira pessoa, se compensa aceitar um cliente que vai ocupar metade do mês, se o negócio aguenta um segundo espaço. Nestas decisões pesa muito ouvir alguém que já as tomou.
Num pequeno negócio, as decisões tomam-se pelo meio do trabalho e, muitas vezes, sem ter com quem as pensar em voz alta. A mentoria dá esse interlocutor.
A mentoria organiza-se de várias formas, e a mesma pessoa pode oferecer mais do que uma.
Em todos os formatos, o que ficou decidido aplica-se entre sessões e o resultado vai para a conversa seguinte. É aí que a mentoria rende, porque cada sessão parte do que aconteceu desde a anterior.
Há três modelos, e convém saber qual é antes da primeira conversa.
Os valores variam com a experiência do mentor, o formato e a duração. Convém pedi-los por escrito, com o que está incluído: quantas sessões, de quanto tempo, se há contacto entre sessões e o que acontece em caso de interrupção.
Na rede que já existe. Antigos chefes, fornecedores, clientes com negócio próprio, colegas de ofício com mais anos de casa. O sociólogo Mark Granovetter mostrou, em «The Strength of Weak Ties» (1973), que as oportunidades profissionais chegam mais vezes por conhecidos distantes do que por amigos próximos, porque os conhecidos se movem noutros círculos. Vale a pena dizer a essas pessoas que se procura um mentor. Para pedir uma apresentação, uma frase concreta resulta melhor: «Conheço o trabalho da Marta e acho que temos muito em comum. Se lhe fizer sentido, gostava que nos apresentasse.»
Nas associações empresariais. Existem em quase todos os distritos, e muitas têm encontros regulares e programas de mentoria. A ANJE, a AIP, a AEP e a NERSANT são algumas das associações a que se pode perguntar o que têm.
Nas incubadoras. A Rede Nacional de Incubadoras, gerida pela Startup Portugal, junta incubadoras de todo o país, e muitas têm mentoria. Perguntar à mais próxima o que há e em que condições.
Junto de quem faz mentoria como serviço. Há profissionais com percurso de gestão que acompanham pequenos negócios. As perguntas mais abaixo ajudam a escolher.
Quanto mais concreta for a situação levada, mais útil é a conversa. Cinco coisas cabem numa página:
A Carolina tem um atelier de arranjos de costura. Foi à primeira sessão de um programa de mentoria com uma frase, «quero crescer», e a conversa andou à volta de ideias soltas. À segunda sessão levou uma página. Fatura 2.600€ por mês: 1.900€ vêm de arranjos, a 12€ em média, e 700€ de dois vestidos por medida a 350€. Tem duas semanas de lista de espera nos arranjos. A pergunta passou a ser outra: subo o preço dos arranjos ou contrato ajuda a meio tempo? Com os números na mesa, o mentor fez-lhe três perguntas sobre a margem de cada linha, e a sessão acabou com uma conta para fazer até à seguinte.
Antes de começar, uma conversa inicial serve às duas partes. Estas perguntas ajudam a perceber se o acompanhamento se ajusta ao negócio:
Importa também reparar nas perguntas que o mentor faz. Quem quer saber o que o negócio vende, a quem e com que números antes de dar uma opinião está a preparar-se para falar do caso concreto.
De um mentor esperam-se quatro coisas: perguntas que obrigam a pôr números nas ideias, a experiência de quem já viu decisões parecidas, uma segunda opinião antes de avançar e, por vezes, contactos. Do lado de quem gere ficam os números do negócio, a decisão e a execução.
O Hugo tem uma oficina de bicicletas e fez seis sessões em três meses. Levou uma decisão a cada uma. Na primeira, o preço da revisão geral, que subiu de 35€ para 45€. Na terceira, o horário de sábado. Na quinta, a compra de uma segunda bancada, que ficou marcada para depois de três meses seguidos acima de 4.000€ de faturação. Em três meses, ficaram tomadas seis decisões que estavam paradas.
É uma boa medida para qualquer acompanhamento: ao fim de três meses, quantas decisões paradas ficaram tomadas, e o que mudou nos números por causa delas.
Um par na mesma fase complementa bem um mentor. O mentor traz a experiência de quem já passou pela decisão; o par, outra pessoa com um negócio parecido em idade, traz a conversa de todas as semanas. O artigo preciso de ajuda com o meu negócio mostra que pergunta levar a cada tipo de apoio.
O Elevate Club é uma plataforma de apoio à gestão de pequenos negócios. Começa por um diagnóstico gratuito, que lê 5 áreas-chave do negócio em cerca de 10 minutos. A partir dele, propõe um percurso de lições curtas e ferramentas onde as lições se aplicam aos números do negócio: um preço, uma margem, um plano de tesouraria. Todos os meses há uma leitura do negócio, feita a partir do que foi registado, e há suporte por email. A plataforma usa-se ao ritmo de cada um.
Serve a quem quer aprender a gerir e a decidir com os seus números. Para quem procura uma pessoa que acompanhe as suas decisões em conversas individuais, a resposta é um mentor, e pode andar a par da plataforma.
Para saber mais, para quem é o Elevate Club descreve a quem serve, e como funciona mostra o caminho do diagnóstico às lições e às ferramentas. E para quem ainda está a decidir que tipo de apoio procurar, o diagnóstico vem antes da formação explica porque vale a pena ver primeiro em que área o apoio faz mais falta.